Perfeição Divina
É muito comum aos que começam a estudar os mistérios da vida se deparar com um dilema: Se devemos buscar a perfeição, por que Deus nos criou imperfeitos? Só pra sacanear? Uma resposta propagada pela Igreja Católica é que existimos para que possamos admirar a Deus. Afinal, deve ser muito chato ficar na eternidade sem ter ninguém pra bajulá-lo. Ora, isso é coisa de humanos! Deus É AMOR. Foi por amor que fomos criados, não sei exatamente por quem nem sei quando, mas sentir que Deus é isso é uma conseqüência natural ao usarmos nossa partícula Divina, que nada mais é que a nossa capacidade de amar.
Muitos a usam erroneamente, confundindo amor com paixão, tesão e outros buscam alguém que seja igual (a famosa cara-metade, ou alma gêmea) ou perfeitos. Ainda há aqueles que se assustam quando encontram alguem que pode provocar em si mesmo a verdadeira vontade de amar, pois o amor é um sentimento muito confuso quando não se tem a mente tranquila e o coração aberto, causa medo do futuro, insegurança, cobrança. Isso são reflexos do próprio eu, que não admite a diversidade, a diferença. É o Narcisismo, que é a paixão pelo próprio reflexo.
Poderia comparar o amor verdadeiro a alguém que planta uma mudinha de árvore. Ele cuida dela nos primeiros anos com carinho, rega, dá sustentação aos primeiros galhos, mas sabe que provavelmente não vai estar vivo para vê-la dar frutos. E não se importa. Ele sonha com ela grande, independente e frondosa; ele quer o melhor pra ela.
Assim é o amor de Deus, que nos fez "imperfeitos" para que possamos lapidar nossos corações com as emoções, tirar sujeira mental de nossa particula divina que em sua essência brilha como um diamante e seguirmos nosso caminho sem que esqueçamos de parar para admirar a paisagem. Afinal, de que adianta produzir "Deuses em série", infinitamente inteligentes e conseqüentemente iguais? (sim, pois não existiria nem divergência de opinião!)
É assim que procuro propagar o amor que Deus me deu. Cultivar não o que eu ache certo, mas alimentar a pessoa amada de informações e segurança para que ela, com seu discernimento, possa julgar o que seja certo. É, além disso, alimentar a dúvida a cada momento para que a pessoa amada tire suas próprias conclusões, ande com as próprias pernas, goste de suas próprias músicas, sonhe seus próprios sonhos... É como o plantador, que põe um gravetinho do lado da raiz da árvore, ainda fina, para que ela possa se sustentar na vertical. E com que alegria que ele o retira!
Ainda assim, esta é uma arte que precisa ser muito aperfeiçoada, pois certas plantas são muito, muito delicadas, e requerem um acompanhamento maior... outras te ferem com seus espinhos...

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